quarta-feira, 21 de abril de 2010

Parabéns, Brasília, pelos seus 50 anos!

...É hora de soprar as velinhas!
BRASÍLIA
Brasília, "emos" do Pátio Brasil
Tão solitários quanto companheiros são...
...Da solidão de seus próprios amigos
Brasília bipolar:
Numa hora faz sol
Brilhante
Noutra volta a nevar
Brasília moderna
A sinuosidade do teu traçado
É a beleza, assinatura de um mago
Brasília encontro
Confluência de todos os cantos
Gente de sorrisos e prantos
Misturam-se na imensidão Rodoviária
Brasília teto do mundo
Laranja celeste mais profundo
Do melancólico cair da tarde
Brasília pele que arde
Carne que queima sem alarde
Tens a pulsação serena...
...Da impetuosidade de um poema
Brasília sem esquinas
Grandes espaços desocupados
Brasília dos monumentos
Que amolecem em fragmentos
Brasília das pichações
Brasília das cigarras lamuriosas
Que choram, desgostosas,
O que o Brasil poderia ser, mas não é (ainda)

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Complete o Conto

Terminava de mexer o café após adoçá-lo quando teve um pensamento repentino. Era um clarão que não iria abandonar sua mente até que o final de semana acabasse. "Claro!"--pensou ele.

Pegou o telefone e discou rapidamente para Ana. Dedilhava com angústia o fone do aparelho. Piiiimm, piiimm, piiimm...Ninguém atendia.

Após muito esperar, desligou o telefone. Pegou o seu velho livro de neoplastia hiperzoomórfica, abriu-o, soprou a poeira. Buscou no índice remissivo algo que pudesse explicar tamanho absurdo. Seu coelho crescera dois decímetros em dois dias.

Os dias de chuva, pensou, são os mais perigosos. Tudo ocorre sobre os olhos lunaticamente luminosos do tédio ganancioso. Subiu até o terceiro andar e pegou uma caixa que estava debaixo da cama. Era azul e pequena. Tinha um bilhete pregado sobre a tampa. Leu-o e, com remorso, amassou-o. Abriu vagarosa e cuidadosamente a caixa.

Estava ali, sob seus olhos, a causa de tamanha apreensão. Ignorando a consciência, seguiu em frente.

domingo, 29 de novembro de 2009

Viodência

Em um futuro no qual você viverá, se não morrer precocemente, não há contato pessoal. Cada um vive sozinho, dentro de seus apartamentos-fortalezas. O simples fato de botar um pé fora de casa já é um semi-suicídio. Ladrões, estupradores e psicopatas espreitarão sua porta.

É que, nesse amanhã cada vez mais presente, a ausência de segurança é corriqueira e a segurança, passado. Ninguém se escandaliza. Todos se defendem... Do jeito que dá.

Grades, cadeados, cachorros, câmeras de vigilância. Revólveres, pistolas, metralhadoras. Cercas elétricas, muros, vigias, alarmes. Coletes a prova de balas, capacetes reforçados, máscara contra gases...

Essa última com serventia dupla. Anula o poder das granadas de fumaça (jogadas por criminosos perto das portas para obrigar os moradores a saírem de suas casas) e protege contra os gases tóxicos lançados por indústrias e veículos.

Os veículos do futuro não são carros de passeio. São carros-fortes. Sempre que há necessidade de adquirir um produto que não possa vir através de download ou acesso digital, as pessoas ligam para o tele-entrega. A encomenda sai do supermercado sob forte escolta (sempre há o risco de alimentos e produtos de higiene ser roubados por maltrapilhos excluídos e esfomeados).

As empresas de segurança particular lucram muito. A proteção-dever-do-Estado, há muito desacreditado, morreu de bala perdida.

O homem do futuro olhará a rua através de sua janela blindada e só verá a negra fumaça da poluição.

Não sendo seguro sair de seus lares-fortalezas, as pessoas passarão a se encontrar apenas no mundo virtual. Sozinho dentro de seus apartamentos de segurança máxima, cada um conversa com os amigos, estuda, pratica esporte e faz sexo utilizando a tela do computador como passaporte para a liberdade de um mundo relativamente seguro. Corre-se, porém, o risco de ser roubado por hackers.

sábado, 21 de novembro de 2009

ASA BRANCA – A POESIA

Na relva já escassa, do chão de terra seca

Eis que surge a brasa num'alma sertaneja

Pé alquebrado, abandona e não pestaneja

Já é hora—eis longo caminho. Esbraveja

Grita ao seu bem-te-vi de verdes olhos

Que um dia voltará, junto à chuva

Quando a terra, ora agreste, reavivar

Como se recebesse sopro de vida

As matizes do olhar de sua querida

Toca-lhe as lágrimas, beija-lhe o chorar

Preme contra o peito a fronte amada

Toca-lhe o rosto tantas vezes tocado

Beija-lhe a boca tantas vezes beijada

Dá carinho, dá afago, outro beijo, outro abraço

Não posso mais ficar, meu sabiá

Tenho que nos sustentar, tenho que arrumar o pão

Tenho que achar o grão para alimentar o chão

Para semear o amor, para brotar a paixão

Beija-a pela última vez, abraça derradeiramente

Dá as costas, sofre e sente. O peito latejante

Sai em busca duma chance o caminhante

Sai sem ter deixado de ficar

Sai no rastro de sorte distante

Lá vai o sertanejo a divagar

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Por que choras, meu anjo?

Por que choras?
Tua alma sofre com um barquinho em meio à tormenta em alto-mar?
Ora, ora, ora ao Capitão desse navio

Por que te escondes?
Tua alma foge por quê? Não és um clandestino nessa viagem!
Reza, reza, reza ao Comandante desse avião

Por que te entristeces?
Tua estrada, que ora atravessa o degredo, chegará certamente ao teu destino: a Felicidade
Tenha certeza, com doçura e carinho Paternos, Ele será teu farol

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Os não-óbvios e as crianças

"Desde
os
primórdios

até hoje em dia, o homem ainda faz o que o macaco fazia"


 

    Sacada não-óbvia essa dos Titãs na música "Homem primata". Realmente... Seriam as sociedades humanas "selvas de concreto"? Em cada relva de asfalto parece haver leões famintos, prestes a abater em emboscada suas presas. São esses felinos apenas delinquentes a assaltar suas vítimas paradas no sinal vermelho. Por outro lado, existem ainda feras que roubam do próximo mesmo sem carecer de alimentos. São bravios da ostentação, do exagero. A natureza dá aos homens todo o necessário para sobreviver, a tecnologia, ainda mais comodidade e recursos às suas vidas. Mesmo assim os Ovirapitors da ganância têm prazer, e vício, em roubar. Não que precisem. Apesar da controvérsia sobre o "dino ladrão de ovos", uma coisa é indiscutível: nós, os selvagens humanos, somos pouco originais. Muitos de nós trabalhamos exaustivamente para poder comprar comida, assim como as bestas (não-humanas) se esforçam para morder a caça. Esses hercúleos profissionais pouco tempo possuem para aproveitar a vida. O belo, a arte, a delicadeza, a erudição, a elegância e o amor suspiram solitários nas metrópoles sempre atrasadas para a reunião do escritório. Enquanto isso, os Oviraptors, que tem tempo de sobra, esbanjam sua futilidade com asas de gaivota (de seu décimo carro de luxo).

    Os não-óbvios assistem a tudo isso. Eles também vivem em meio a esse caos, mas observam tudo com a visão dos anjos, como se, acima das nuvens, flutuassem. Sem "asas de gaivota", claro. Percebem o que o mundo poderia ser, mas (ainda) não é. Eles veem os litros de felicidade desperdiçados nas cidades (e no campo). Sentem-se deslocados, mas nem por isso dão suspiros tristes. O não-óbivo é, isso sim, um adulto em meio a crianças barulhentas, agressivas e malcriadas. Isso não o irrita. Antes, tenta dar os melhores conselhos a elas, medica os infantes enfermos, trata a todos, dos pequenos mais bem comportados aos mais sapecas, com o carinho e caridade de que necessitam para crescer. Na medida em que os jovens amadurecem, o não-óbvio lhes ensina a apreciar o bom, o belo, a arte, a delicadeza, a erudição, a elegância... E mesmo os menores desde muito cedo podem aprender isso, pois o professor deles costuma ser a própria encarnação (embora imperfeita) daqueles valores. Imperfeita porque sabe que ainda há muito a aprender... Sabe que ele também é criança em comparação a espíritos mais solares. Tem consciência de que quando Jesus disse "Deixai vir (a mim) as criancinhas", Cristo também se referia a ele.


 

    

domingo, 4 de outubro de 2009

De perto

--De perto...
... Todo mundo é igual:
...Ninguém é certo...
...Ninguém é normal!

--Sério?
--Não...