domingo, 12 de fevereiro de 2012

Quando não se teme os outros matar




Quando não se teme os outros matar
E o que se teme é a própria morte
O humano subestima a própria sorte
Na tresmalhada busca por seu azar

Para ensinar o perdão aqui veio
O Crucificado que está no altar
Preferiu fel beber, sangue suar
A derramar o rude sangue alheio

Que a lição de amor do Santo Cordeiro
A perdoar, ante um sofrer tão rotundo,
As sevícias de seus próprios algozes

Lembre-nos que nos flagelos atrozes
Encontra-se a ovelha em rumo ligeiro
Ao Alto Aprisco, que não é deste mundo

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Autodescrição do ultraje

 

No breu sem nome, sou o César
Em Roma, o fogo dos tempos de Nero
O que creio e gosto, reitero
Sou o Augusto censor da Terra!

Sou a ânsia da ignorância,
A violência no comentário,
Não sou santo, mas sectário
Sou o vilipêndio na infância
 
Ícone mor dos iconoclastas
Sou ferino e muito audível
Eu falo o indizível
Sou a máscara dos crápulas

Sou a hipocrisia resguardada
O baluarte da velha guarda
Que ofende, atemoriza e acovarda

Sou o verbo que paralisou
O conselho que destruiu
Sabes agora quem te denigriu?

Eis-me aqui! Cá estou!
Eu roo o que me contraria
Para salvar o mundo da rataria!

sábado, 8 de outubro de 2011

Acima da neblina da vida


I

Acima da neblina da vida,
Onde o desgosto não alcança,
Luzes celestes pintam os horizontes
Estrelas fulguram atrás dos montes
Centelhas acalmam a noite

De onde vem esse lume
Que acalenta o ser e adoça o azedume?
Que mostra uma neblina...
...Névoa de perfume, só de perfume
De onde vem?

Humanos, acima de vossa fronte,
Sobre vossas cabeças e dores,
Além das sinas e cismas,
As estrelas brilham singulares,
Luz da fé, dos universais altares,
Mundos delicados, criaturas ditosas
Voam vertiginosamente
Pela multidão de nebulosas

Humanos, irmãos muito amados!
O mundo não é vossa caverna
Nem os ares são vossas neblinas
Nas imensidões universais
As cachoeiras de estrelas cadentes
São fontes amigas, cristalinas!

Cá na terra, onde a dor dói,
Onde o erro erra,
Aqui, em pequena, diminuta esfera,
Humanos errados, errantes, erráticos,
Em transe, em êxtase, lunáticos,
Doidos, alienados e ensimesmados,
Não vêem, de distraídos que estão,
As silentes belezas dos céus,
As tácitas glórias da natureza,

Quando o sol abrasa a terra,
Quando a seca abre feridas no solo
O cacto – sereno – continua ereto
Desconhecendo se é errado ou se é certo
O lancinante abafamento ao seu redor

II
A gota despenca dos precipícios,
E temendo seus maus auspícios
Cai na mais singela e mirrada fonte
Estão, então, em uma miudeza de dar dó
Com tão fraca e vazia quantia d’água,
Mesmo sendo uma gota entre outras gotas,
Esta pessimista gota se sente só...
Mas eis que ela está no berçário do rio,
Onde o rio nasce, em sua cabeceira,

E, aos poucos, a gota entre as outras poucas gotas
Recebe mais gotas, e mais água e cada vez mais água,
Gotas formam então, entre as margens, uma estrada
E continuam avançando as fronteiras,
Que vagarosamente aprendem a desconhecer

Ficam fortes, formam vórtices, correntezas,
Sofrem com as pedras do leito e suas asperezas,
Prosseguem sem cessar a marcha gloriosa
Quanto mais fronteiras ignoram,
Mais avançam, mais altivas ficam,

Mais largo o rio, maior distância entre as margens,
Gotas aprendem a sorrir, apreciam as folhagens
Que em vão tentam lhes obstar o caminho
As gotas sabem que têm um caminho a seguir
Não sabem ao certo para onde vão
Mas confiam na arquitetura da Natureza
E avançam, e progridem e não cansam,
Quando exaustas sabem que outras gotas estão
Ao seu derredor e que lhes ajudarão,
Uma gota empurra a companheira fatigada
Pois de fraternidade se faz um aluvião

As gotas celestes caem em forma de chuva
Para estimular as gotas que agora deslizam
Eis que, quando o rio é uma multidão d’água,
Quando já é longa e larga a líquida estrada,
O rio deságua no mar, onde outros rios deságuam
Eis o oceano, onde todas as águas do mundo se amam,
Onde nem os maus presságios, nem as más sinas profanam
A alegria de comungar, a felicidade de compartilhar
O júbilo das águas de todas as mundiais baías,

Desfeitas dos próprios medos e idiossincrasias
Podem gozar o gozo de apenas existir
De apenas poder sentir, de ter tão-somente uma consciência,
Um pensamento...
Por mais que o pensar for nevoento,
Ele já é sinal de vida, e a vida é para ser celebrada

Por que a vida... A vida é uma líquida estrada,
Ela começa assustadora, no meio do nada,
E deságua no oceano, em júbilo e arrebatamento,
Por mais ásperas que sejam as pedras do caminho,
O pingo d’água não está sozinho,
A Natureza se encarregará de levá-lo,
Através da evaporação,
Ao canto mais luzidio do Firmamento!









    














domingo, 18 de setembro de 2011

Músicas Clássicas Clássicas


Natureza e Paisagem:
1)   Peer Grynt (Alvorada) – Suíte nº 1 – Edvard Grieg
2)   As Quatro Estações (Primavera) – Antonio Vivaldi
3)   Danúbio Azul – Johann Strauss II
4)   Toccata: O Trenzinho do Caipira – Heitor Villa-Lobos
 
Passionais:
5)   Sinfonia Nº 5 (Allegro com Brio) – Beethoven
6)   Sinfonia Nº 9 (Ode à Alegria)
7)   Moonlight Sonata – Beethoven
8)   História de Amor – Beethoven
9)   Para Elisa (Für Elise) – Beethoven
10)Ópera Carmen (Prélude) – Georges Bizet
11) Ópera Carmen (La Cloche a Sonné) – Georges Bizet
12) Ópera Carmen (L’Amour Est um Oiseau Rebelle [habanera]) – Georges Bizet
13) Ópera Carmen (Près des Remparts de Séville [seguidilla e dueto]) – Georges Bizet
14) Ópera Carmen (Votre Toast, Je Peaux Vous Le Rendre) – Georges Bizet
15) Ópera Carmen (La Fleur Que Tu M’Avais Jetée) – Georges Bizet
16) Ópera Carmen (Entr’acte) – Georges Bizet
17) Ópera Carmen (Écoute, Écoute, Compagnon) – Georges Bizet
18) Ópera Carmen (Je Dis Que Rien Ne M’Épouvante) – Georges Bizet
19) Ópera Carmen (Les Voici! Les Voici!) – Georges Bizet
20) Allegro Non Tropo e Molto Maestroso – Alegro con Spirito – Tchaikovsky
21) Allegro com Fuoco – Tchaikovsky
22) Carmina Burana (O Fortuna) – Carl Off
23) Concerto para uma Voz – Saint-Preux
24) Danças Húngaras – Johannes Brahms
25) Bolero – Maurice Ravel
26) Marcha Nupcial (Sonhos de uma Noite de Verão) – Félix Mendelssohn
27) Eine kleine Nachtmusik Allegro – Wolfgang Amadeus Mozart
28) Sinfonia Nº 40 – Wolfgang Amadeus Mozart
29) Concerto Nº 21 (Elvira Madigan) – Wolfgang Amadeus Mozart
30) O Guarani – Carlos Gomes

Sombrias:
31) Serenata Opus 50 – Franz Peter Schubert
32) Träumerei – Robert Schumann
33) Noturno Opus 9 Nº 2 – Frédéric Chopin
34) Bachiana Nº 5 Ária (Cantilena) – Heitor Villa-Lobos

Religiosas:
35) Jesus, Alegria dos Homens – Johann Sebastian Bach
36) Ave, Maria – Schubert
37) Ave, Maria – Bach/Gonoud  

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O humano é um ser experimentador


 
O humano é um ser experimentador:
Experimenta o gozo, experimenta a glória,
Experimenta a dor...

Tudo quanto existe, o humano experimenta:
As horas de encanto,
O momento de ser triste
E o dissabor de uma tormenta

A tempestade punge o humano marinheiro
E a calmaria o acalenta...

domingo, 15 de maio de 2011

Nem mares nem marés, moucas Marias!



Nem mares nem marés, moucas Marias,
Nem o ruído de vossos maus pendores
Impedir-vos-ão de escutar as cotovias,
Vozes celestes, cânticos de esplendores!

Nem mares nem marés, roucas Marias,
Nem mesmo outra qualquer vicissitude
Impedir-vos-ão de cantar as poesias
De bondade, amor e plenitude!

Nem mares nem marés, loucas Marias,
Nem o fausto de vosso pobre império,
Pode vos deixar dizer um impropério

Contra o Divino Reino, de luz e alegrias,
Que vosso ceticismo e essas vãs filosofias,
Não vislumbram a chave do Grão Mistério!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A rua diz


O espaço urbano, com tudo o que nele se apresenta e com tudo o que dele se esconde, é a síntese da sociedade. O que se vê nos locais públicos (e o que raramente neles se encontra) diz muito sobre a qualidade de vida e sobre os preconceitos em uma região. 

O que se conclui ao visitar um lugar cujas ruas estão repletas de mendigos, de bêbados, de narcotraficantes, de crianças devotadas às drogas e à prostituição?

Que juízo fazer de uma região onde as mulheres são proibidas de frequentar praças, mercados, restaurantes, enfim, o espaço público em geral? Onde elas vivem encarceradas em suas casas? Onde não se vê uma só mulher andando nas ruas? 

É possível perceber o baixo IDH de uma cidade quando deficientes físicos e mentais não são vistos nos espaços públicos. Quando não estão nas empresas, não trabalham em lojas nem vendem remédios nas farmácias... Ainda existem pessoas com necessidades especiais condenadas a uma vida exclusivamente doméstica, lhes sendo negado o acesso aos trabalhos externos.

Da mesma maneira, o que se pensa ao perceber que, numa sociedade na qual a maioria das pessoas tem pele escura, pouquíssimos “negros”, “pardos” e afins frequentam as universidades? 

Em dado país, há mais botecos do que bibliotecas — esse não é um dado relevante, que ajuda a medir o desenvolvimento dessa nação?

A escassez de certos fatores e a abundância de outros dentro do espaço público têm muito a dizer sobre a sociedade.